Narrativas da Cidade: perspectivas multidisciplinares sobre a urbe contemporânea está no prelo

Padrão

Com previsão de lançamento em maio de 2013, pela E-papers, Narrativas da Cidade tem prefácio escrito por Erick Felinto.

“As grandes metrópoles, que ainda hoje constituem o testemunho mais visível dos processos de modernização iniciados com a revolução industrial, acabaram por se tornar também (como seria de se esperar) os polos fundamentais de desenvolvimento e aglutinação dos meios eletrônicos de comunicação. Em muitos sentidos, o espaço urbano tornou-se não apenas símbolo, senão também uma das faces mais visíveis da onipresente midiatização da vida contemporânea. O termo inglês mediascape (algo como “paisagem midiática”), derivado do já conhecido landscape, é sintomático do poder que as tecnologias comunicacionais exer- cem na sociedade contemporânea. Essa relação entre cidade e comunicação alcançou tal nível de intimidade que alguns autores (por exemplo, Massimo Canevacci) começaram a usar expressões como “metrópole comunicacional”, para indicar a importância da imagem e dos processos de midiatização nos espaços urbanos.

Se por um lado, as novas tecnologias digitais auxiliaram o mundo a se conectar em uma grande rede descentralizada, re- duzindo determinadas desigualdades e apagando certas margens, por outro, paradoxalmente, atuaram como instrumentos de re- forço de uma geografia simbólica (mas também política e econômica) na qual as grandes cidades ainda ocupam posições centrais. Os artigos reunidos neste volume procuram, precisamente, dar conta dos muitos aspectos – sempre contraditórios e complexos – dos processos de entrelaçamento entre cidade e comunicação. Em parte, cabe analisar como a cidade aparece “no interior” da mídia, enquanto espaço imaginário de representações ficcionais (em novelas, seriados de televisão, filmes etc.). Essa é a proposta de contribuições como “Uma leitura da representação da cidade do Rio de Janeiro no seriado televisivo ‘Cidade dos Homens’”, de Regina Varela, ou “Experiência urbana e linguagem cinematográfica: o exemplo de ‘Berlim, Sinfonia da Metrópole’”, de Flavio di Cola. Por outro lado, urge investigar também a cidade como o lócus fundamental onde se desenrola uma série de fenômenos midiáticos, tarefa desempenhada com competência por textos como “Informação, cidade e cultura no contexto dos territórios culturais: a Teia Baixada em foco”, de Marcio Gonçalves ou “Ma- peando a cidade com imagens: uma análise da performance com mapping dos United VJs com as poesias de Augusto de Campos na fachada do CCBB”, de Wilson Oliveira.

Se no alvorecer da modernidade a cidade era ainda imaginada – inclusive no âmbito dos próprios meios – como lugar assola- do pelos perigos da modernidade (dos quais o bonde elétrico foi um dos elementos mais pregnantes), na situação contemporânea, ela se manifesta como uma das faces fundamentais da socieda- de tecnológica avançada. A outra é precisamente a comunicação através dos meios eletrônicos. No âmbito do ciberespaço, onde hoje emerge toda uma nova geografia imaginária, mapeada por autores como Margaret Wertheim, chegamos mesmo a assistir à ascensão de fantasias sobre uma nova “cidade celestial”, uma “nova Jerusalém” eletrônica, na qual os usuários das tecnologias digitais poderiam algum dia viver livres dos perigos da cidade e mesmo das imperfeições do corpo. Mas, diferentemente da pureza irreal da cidade celestial feita de bits e bytes, as grandes metrópoles da contemporaneidade são territórios babélicos, sujos, impuros e confusos – nos quais as demarcações identitárias e fronteiras nacionais se tornam cada vez mais tênues. Trata-se de um cenário excitante e rico (certamente mais rico que aquele so- nhado pelo imaginário do ciberpespaço). Londres, Paris, Rio de Janeiro, Buenos Aires: metrópoles imperfeitas, em permanente estado de crise, mas onde a vida eletrônica desta nossa hipermo- dernidade pulsa com todo vigor.

Pensar nas grandes questões da comunicação no cenário con- temporâneo implica situá-la sempre nesses territórios babélicos, em suas relações viscerais com processos simbólicos e materiais que constituem a essência dos processos de mediação tecnológicos. Essa é a tarefa que o presente volume se propõe realizar. Mas, em analogia mesmo com o caos característico das grandes cidades, o livro não pretende apresentar um fio condutor ou um eixo de organização unitário. Em seus vários artigos, que discutem desde a questão do corpo e da mobilidade nas urbes até a fotografia como memória do espaço citadino, ele faz jus às dimensões caóticas da vida urbana. Não existe porta de entrada ou saída, não existe via privilegiada de acesso. Todos os caminhos levam a Roma – aliás, um dos grandes arquétipos da cidade como espaço desordenado e babélico. Aqui os leitores terão o prazer de se perder nas vielas e nas avenidas dessas imponentes cidades. O prazer característico dos labirintos, como assinala Michel de Certeau, e que é também o prazer do flâneur, andando sempre a esmo pelos misteriosos caminhos da urbe. Que as contribuições aqui conjugadas possam servir ao leitor como um fio de Ariadne para passear nos movediços territórios da modernidade. Mas, diferentemente do mitológico labirinto em cujo centro repousava o Minotauro, nosso labirinto urbano não possui centro nem mar- gem. E explorá-lo significa, em última instância, entender que a cidade somos também nós mesmos, nossos corpos, nossos sonhos e nossos signos – que tomaram forma material e nos convocam, sempre de novo, a perdermos prazerosamente o rumo certo”.


Autores

Regina Célia Bichara Varella de Almeida é mestre em Comunicação pela PUC-Rio e especialista em Marketing pela Escola Superior de Pro- paganda e Marketing – ESPM/RJ. Graduada em Comunicação Social com tripla habilitação: Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas pela PUC-Rio. Atua como professora da Universidade Estácio de Sá (UNE- SA) e possui 17 anos de experiência profissional na Rede Globo de Tele- visão, na área de programação, promoção e mídia.

Sandro Tôrres de Azevedo é doutorando em Estudos de Linguagem pela UFF, mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, especialista em Docência Superior pela UNESA, graduado em Comunicação So- cial – habilitação em Publicidade e Propaganda pela UFF. Publicitário e pesquisador, atua como professor no ensino superior desde 1999.
Flávio Di Cola é jornalista, publicitário e ensaísta. Mestre em Comu- nicação e Cultura pela ECO-UFRJ. Professor nas áreas de Publicidade, Moda e Cinema na Universidade Estácio de Sá.

Andréa Almeida de Moura Estevão é jornalista e mestre em Comuni- cação e Cultura pela ECO-UFRJ. Professora da Pós-Graduação/Especia- lização Lato Sensu em Jornalismo Cultural e da Pós-Graduação/Espe- cialização Lato Sensu – Carnaval e Cultura, da UNESA. Organizadora e coautora do livro Comunicação e imagem, publicado pela Editora Rio.

Milton Julio Faccin é doutor e mestre em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ). Possui graduação em Comunicação Social (Jornalismo), pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atua como profes- sor da Universidade Estácio de Sá (UNESA). Possui experiência profis- sional em Assessoria de Imprensa e acadêmica na área de Comunicação, com ênfase em Análise do Discurso Jornalístico.


Soraya Venegas Ferreira
é doutora em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ, com Pós-Doutorado em Teorias do Jornalismo pelo PPG- Com-UFF. Professora de Fotojornalismo e coordenadora do curso de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá. Premiada no “Rumos Itaú Cultural”. Atualmente, desenvolve pesquisa sobre os critérios de premiação dos concursos de fotografia.

Marcio Gonçalves é doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (UFRJ); é jornalista e atua como professor na Universidade Estácio de Sá (UNESA).

Rafael Rocha Jaime é doutorando no programa de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), pós-graduação em Sociologia Política e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- Rio). Atua como professor na Universidade Estácio de Sá e no Instituto de Administração do Estado do Rio de Janeiro (IARJ/UFRJ).

João Maurício Bragança Garcia Lopes é pós-graduado em Fotografia pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e em Cultura Brasileira pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). Graduado em Fotografia pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Premiado pelo IPHAN no concurso “Olhares Sobre o Patrimônio Fluminense”. Atualmente, realiza projeto autoral de pesquisa da identidade visual da região do antigo Valongo, zona portuária do Rio de Janeiro.


Monica Mansur
é especialista em Produção de Moda pela Universidade Veiga de Almeida e graduada na mesma universidade; docente do curso de Design de Moda da Universidade Estácio de Sá (UNESA). Atuação profissional em Planejamento e Desenvolvimento de Coleção, no seg- mento de Moda.


Maria Alice de Faria Nogueira
é doutoranda em História, Política e Bens Culturais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil na Escola de Ciências Sociais e História da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV). Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio, atua como professora da graduação em Comuni- cação Social – Publicidade e na Pós-Graduação em Marketing na Uni- versidade Estácio de Sá (UNESA).


Wilson Oliveira
é doutorando em Memória Social (PPGMS/UNIRIO). Em março de 2012 iniciou o Doutorado-sanduíche no Department of Cinema and Media Studies na Universidade de Chicago sob co-orienta- ção do PhD Tom Gunning. Graduado em Comunicação Social. Mestre em Comunicação e Cultura. Especialista em Filosofia Contemporâ- nea. Professor da Universidade Estácio de Sá. Autor de Desconstruindo McLuhan: O homem como (possível) extensão dos meios (E-papers, 2009). Possui experiência profissional com música, audiovisual e jornalismo.


Lucia Rebello
é doutora e mestre em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz. Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pesquisadora e docente da Universidade Estácio de Sá (UNESA) com principal atuação no curso de Design de Moda.


Jorge Edgardo Sapia
é cientista social pela UFF, mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Professor temporário do Departamento de Ciências Sociais da UFRRJ. Com atuação como professor em diversos cursos de graduação da Universidade Estácio de Sá, foi, também, professor da Pós-Graduação/Especialização Lato Sensu do curso de Carnaval e Cultura da UNESA.


Marcia Souza
é graduada em Design de Moda pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Bacharel em Letras com especialização em Língua Inglesa pela PUC-Rio. Consultora de Moda e Estilo. Docente do curso de Design de Moda e Letras da Universidade Estácio de Sá (UNESA).


Élida Vaz
é mestre em Educação pela PUC-Rio, com a dissertação sobre “Encenação da Educação nas cartas dos Leitores”. Como jornalista, trabalhou como repórter e editora no Jornal O Globo e no Canal Futura. Atua como professora da Universidade Estácio de Sá (UNESA).